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A psicologia e o número ideal de participantes para realizar eventos

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Será que a psicologia pode indicar um número ideal de participantes para realizar eventos? Esta possibilidade surgiu desde que o antropólogo e psicólogo Robin Dunbar publicou seu estudo sobre a quantidade de relacionamentos que a mente é capaz de manter, baseado em dados da psicologia evolucionária. São indicações que podem ser úteis para que os organizadores de eventos proporcionem o máximo de interatividade entre os participantes.

O famoso “número de Dunbar” surgiu a partir de pesquisas feitas com primatas. Há uma teoria, surgida na década de 80, segundo a qual o tamanho do cérebro desses animais seria uma consequência das relações sociais. Quanto maior o grupo e mais complexas essas relações, maior seria o cérebro. O pesquisador britânico resolveu aplicar essa teoria aos seres humanos. A conclusão que chegou é que o número de relacionamentos básicos com os quais o cérebro seria capaz de lidar totalizaria, em média, 150 pessoas.

Dunbar descobriu também que esse é o número médio de pessoas encontrado em pequenos vilarejos e em outros tipos de associações humanas, como, por exemplo, unidades militares ( e isso desde a Antiguidade). Naturalmente, trata-se de uma média: a quantidade varia entre 100 e 200 pessoas e existem gradações relativas ao número de relacionamentos e sua profundidade.

Dos conhecidos ao grupo de apoio

A maior quantidade possível de relacionamentos que poderíamos manter, assim, estaria em torno de 150. Porém, esse número se referiria a todas as relações possíveis, inclusive relações casuais. A pesquisa de Dunbar se aprofundou, indicando que há uma “regra de três” que pode ser aplicada para indicar a profundidade das relações. Depois de 150, o próximo número relevante seria 50, que indicaria os relacionamentos bem mais próximos.

O próximo número significativo seria 15, que indicaria aqueles com os quais você se encontraria com mais frequência e com os quais tenderia a dividir confidências. Finalmente, cinco seria o que ele chamou de “grupo de apoio”, os amigos mais íntimos, ou mesmo membros da família. Assim, a “regra de três” relativa aos relacionamentos mais próximos incluiria 50, 15 e cinco. A composição desses grupos não seria estática e poderia variar ao longo do tempo.

A partir de 150 e subindo na escala, o número máximo de conhecidos com os quais o cérebro humano poderia lidar seria de 500 pessoas. Já a quantidade máxima com que você poderia relacionar o nome à pessoa seria de 1,5 mil. Essas, pelos menos, foram as pesquisas feitas por Dunbar na época pré-redes sociais. Será que estas conclusões fariam sentido num na realidade atual de Facebook, Twitter e outras redes sociais? E que impacto teriam para quem quer realizar eventos?

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Amizades em tempos de redes

O número de Dunbar começou a ser questionado devido ao crescimento do uso de redes sociais. Afinal, com centenas e centenas de perfis em suas redes, as pessoas não poderiam estar ampliando seu potencial? Aparentemente, não. Pesquisa divulgada em 2014 pelo Pew Research apontou que a média de amigos nos perfis do Facebook é de 200 (mais exatamente, a pesquisa mostrou que metade dos usuários tem mais de 200 amigos e metade possui menos). Outra pesquisa, divulgada este ano no jornal The Telegraph revelou que o número médio ficou em 155, bem próximo do estimado por Dunbar.

Numa entrevista para a New Yorker, o pesquisador reconheceu que redes sociais como o Facebook estão alterando a natureza das interações humanas. Ele destacou, no entanto, que o que esta rede social específica (que é mais relacionada com relações interpessoais) faz com mais sucesso é permitir que você acompanhe pessoas que, de outra forma, iriam acabar desaparecendo de sua vida cotidiana.

A tribo de cada um

O número de Dunbar pode dar um insight valioso no planejamento de eventos. Pelo menos é o que acredita a antropóloga Cathy Key, que atua no setor de tecnologia de eventos. Pessoalmente, ela acredita que quando comparece a eventos com um número de participantes próximo das médias de Dunbar (ou seja, variando entre 100 e 200 participantes), seu nível de satisfação é maior.

A sensação que ela menciona – a de estar perdida no meio da multidão em eventos de maior porte – certamente já foi sentida também por você e por qualquer pessoa presente nessas ocasiões. Embora, naturalmente, a tecnologia mobile seja uma valiosa aliada nessas ocasiões: quando existe uma plataforma para eventos, torna-se mais fácil identificar e buscar a sua “tribo” específica.

O número de Dunbar pode ser importante, por exemplo, na hora de escolher um auditório – talvez algo próximo ao número de Dunbar possa proporcionar maior senso de comunhão entre entre a plateia de uma palestra. Mas Cathy Key alerta que as descobertas da psicologia também podem ajudar também na hora de definir outros itens dos eventos, como formação de grupos para debates.

As pesquisas indicam que grupos de conversação funcionam bem com quatro pessoas ou menos. Grupos maiores tendem a se dividir ou ser dominados por duas ou mais pessoas, o que pode dispersar o foco do debate. Uma estratégia sugerida por ela nesses casos é dividir o grupo em pares, para reduzir a resistência natural relativa ao tamanho do grupo de conversação. Ou, então, gerenciar grupos maiores para evitar que a atenção seja dividida entre os participantes.

Achou interessante a pesquisa de Robin Dunbar? Curtiu nossas dicas de organização de eventos? Conta pra gente nos comentários! 😉

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